Problemas de Gengiva

11/06/2010

Problemas de Gengiva
O que é o problema de gengiva, o que devemos fazer e como se trata este problema.
Os problemas de gengiva são na verdade um grupo de enfermidades que atingem os tecidos situados ao redor dos
dentes e que são causados principalmente pela ação de bactérias que normalmente habitam a cavidade bucal e que estão
presentes na placa dental. De um modo geral, e para efeito de simplificação, podemos situar estes problemas como aqueles
em que somente a gengiva e efetada e iremos denominá-la como gengivite, e aqueles que já afetam os tecidos de suporte do
dente (periodonto), como o osso. e que chamamos de periodontite. E importante enfatizar que nem todos estes problemas
são iguais embora para a maioria dos nossos pacientes os sinais e sintomas clínicos apontem neste sentido.
Gengivite
A gengivite é um processo inflamatório que ocorre como o resultado do acúmulo de placa bacteriana. Nos anos 60, um
estudo clássico demonstrou a associação deste acúmulo de placa e o desenvolvimento de sinais clínicos como sangramento
gengival após um período de 10 a 21 dias. Quando os hábitos de higienização- uso de escova e fio dental, foram reiniciados,
este quadro inflamatório desapareceu sem deixar seqüelas. Para alguns pacientes, o simples acúmulo de placa explica o
quadro de inflamação da gengiva apresentado. Para outros pacientes a influencia de fatores sistêmicos, como por exemplo,
as que ocorrem nas mulheres durante a gravidez quando grandes modificações hormonais se processam tornam-se
responsáveis pelas alterações observadas na gengiva. Deficiências nutricionais podem também trazer problemas desta
natureza. A diabetes, do mesmo modo, contribui de forma adversa, assim como a utilização de determinados medicamentos,
para um agravamento da gengivite.
Muitos indivíduos foram, são ou serão afetados por este problema entretanto alguns poderão, ao longo dos anos,
sofrer uma deterioração desta condição de inflamação inicial da gengiva quando os tecidos de suporte do dente, como osso,
serão envolvidos em maior ou menor grau.
Periodontite
Embora as bactérias sejam importantes para a iniciação da maioria dos problemas gengivais sua presença
exclusiva não e suficiente para explicar porque alguns pacientes apresentam um quadro mais severo de doença gengival. A
interação de um grupo mais especifico de bactérias, com o sistema imunológico do individuo cria ou não condições que
levam a destruição do periodonto. Isto não significa uma deficiência na resposta do individuo e sim uma resposta
desfavorável para o periodonto.
Um aspecto muito importante desta doença e de que ela precisa encontrar condições num individuo susceptível mostrando,
portanto, que nem todos vamos desenvolver este problema mesmo que apresentemos uma microflora bucal semelhante a
encontrada em indivíduos afetados pela doença. A “susceptibilidade” variável entre os indivíduos explica porque esta
enfermidade e considerada multifatorial. Alguns elementos contribuem para estas diferenças como fatores de risco que são,
de um modo geral, um estilo de vida, hábitos- o tabagismo, por exemplo, uma exposição ambiental, uma característica
hereditária e ate mesmo uma condição sistêmica que influencie o curso da doença. Tais fatores de risco podem estar ligados
a uma maior probabilidade de se desenvolver uma particular doença sem entretanto ser necessariamente um de seus fatores
causais.
Alguns destes fatores podem ser modificados através de medidas intervencionistas portanto reduzindo a
probabilidade de ocorrência desta doença quando ainda inexistente ou então impedindo seu agravamento. Deixar de fumar,
embora possa ser algo difícil para alguns, traz benefícios para o paciente, que apos um período de “desintoxicação” pode,
pelo menos no âmbito de saúde bucal, ter seu risco de desenvolvimento e progressão da doença periodontal comparável a
um individuo que nunca fumou.Outros fatores, entretanto, não podem ainda ser modificados, como, por exemplo, aqueles
determinados geneticamente. Embora as pesquisas nesta área sejam extensas e promissoras, ainda deveremos esperar para
que seus resultados possam se traduzir em benefícios para milhões de pessoas.
A doença periodontal ou periodontite não é um problema novo. Existem relatos muito antigos a respeito desta
doença, que mencionam a tentativa de remoção de tártaro como forma empírica de tratamento dos problemas gengivais.
Nossos antepassados a chamavam de piorréia pois observavam a produção de pus, dai o nome utilizado.
O que devemos Fazer?
Os problemas gengivais nem sempre são percebidos pelo paciente. Um dos sinais clínicos mais importantes é o
sangramento gengival mas que nem sempre pode ser percebido. Quando detectado pelo paciente, este, muita das vezes,
passa a “conviver” com este sangramento por acreditar ser um evento normal e ao mesmo tempo inócuo. A gengivite é o
ponto de partida para os problemas gengivais mas que não necessariamente progredirão para formas mais sérias da doença.
A procura de testes ou exames que possam identificar os pacientes susceptíveis a doença periodontal é grande,
mais ainda não estão disponíveis para uso clínico. Por isso, a melhor conduta ainda é a adoção de medidas preventivas, que
impeçam o surgimento dos problemas ou então, quando já existentes, interrompam ou limitem sua progressão. Consultas
periódicas devem fazer, então, parte de um programa que deve ser adequado para cada paciente, baseado no seu perfil
levando em conta sua “dedicação” aos hábitos de higiene oral sugeridos pelo seu dentista e em aspectos que indiquem um
possível risco de desenvolvimento da doença periodontal. O objetivo principal é, portanto manter a saúde gengival ou então
reverter o processo inflamatório envolvendo os tecidos de suporte do dente.
Como tratar estas enfermidades ?
O controle de placa bacteriana -parte essencial no tratamento periodontal do paciente, é obtido com bons hábitos
de higiene bucal. Os benefícios disso não se limitam a gengiva mas também na redução do risco de cáries.
Nos casos de gengivite, a limpeza, ou profilaxia como também é conhecida, realizada no consultório seguida da
adoção de bons hábitos de escovação e uso do fio dental são, na grande maioria das vezes, suficientes para reverter este
quadro, em algumas situações porem, a presença de depósitos de tártaro- que são o resultado da calcificação das bactérias na
superfície do dente, obriga a realização de uma limpeza mais vigorosa no consultório com a utilização de anestesia local
para maior conforto durante sua execução. Ainda em algumas ocasiões, é possível que outros fatores além da placa
bacteriana depositada nos dentes contribuam para o quadro inflamatório. Como mencionado anteriormente, a gravidez seria
uma destas situações em que o quadro inflamatório se dá de forma mais intensa por influência hormonal e, mesmo que uma
boa higiene oral seja realizada pela paciente, os sinais e sintomas apurados podem não desaparecer.
Quando o quadro de doença gengival evolui para uma periodontite, os tecidos de suporte dentário começam a ser
destruídos. A presença de bolsas que nada mais são do que sulcos gengivais profundos situados ao redor dos dentes,
associados a perda óssea na área são um dos achados clínicos mais importantes desta doença. As bolsas também funcionam
como um meio de cultura para as bactérias responsáveis pelo processo patológico, pois fornecem as condições favoráveis ao
seu crescimento e multiplicação- um ambiente anaeróbico (sem oxigênio) e rico em nutrientes.
O objetivo do tratamento periodontal é o de interromper o processo da doença e quando possível reverter perdas
ósseas através de procedimentos que visem regenerar todo ou parte do osso previamente destruído.
A terapia periodontal começa com a limpeza de áreas sub-gengivais, isto é, das áreas localizadas abaixo da
gengiva. Após anestesia local, instrumentos são delicadamente introduzidos dentro das bolsas, com o objetivo de remover
os depósitos de placa e tártaro aderidos a superfície do dente assim como o de desalojar bactérias que habitem estas áreas.
Depois de “algumas semanas, já é possível avaliar o resultado desta ‘’limpeza”, que é conhecida como raspagem e
alisamento radicular. Muitas áreas respondem favoravelmente a esta etapa de tratamento. Em muitos casos, o tratamento
termina e o paciente é incluído num programa de manutenção periodontal a intervalos compatíveis com as suas
necessidades. Este programa visa preservar as condições gengivais do paciente. A aderência a este programa mostrou-se
muito eficente para os pacientes que independentemente do quadro de doença periodontal passam a usufruir de uma maior
estabilidade das áreas anteriormente atingidas pelo processo patológico envolvendo o periodonto.
No entanto, algumas áreas por apresentarem inicialmente bolsas muito profundas poderão não responder de forma
satisfatória a esta limpeza. Isto é facilmente compreensível, porque o acesso a limpeza da superfície do dente já é limitada
de início e além disso quanto mais profundas são as bolsas, mais detritos vão inexoravelmente permanecer aderidos ao dente
apesar do esforços no sentido de limpa-las. Portanto algumas bolsas ainda persistirão e o tratamento complementar poderá
envolver uma etapa cirúrgica que em resumo tem como objetivos: 1) acesso a limpeza pois a superfície do dente e exposta a
limpeza; 2) correção de deformidades ósseas que contribuem para a persistência de bolsas periodontais e 3) regeneração do
osso em areas que apresentem condições favoráveis para tais procedimentos.
Terminada esta etapa cirúrgica, os paciente também são incluídos no programa de manutenção periodontal
adequado as suas necessidades.
Testes bacteriológicos também podem ser realizados para identificar os microorganismos envolvidos assim como selecionar
qual ou quais antibióticos podem ser empregados. Apesar da etiologia bacteriana que leva a esta infecção, a utilização de
antibióticos não é rotineira no tratamento da doença periodontal ficando “restrita” aos casos mais sérios ou em situações
especiais que o exijam.
Em resumo, a doença periodontal é um processo que na maioria dos casos tem uma evolução lenta, mas que sem
tratamento leva a perda dos dentes. Se possível, deve se tratar os problemas periodontais nas fases iniciais da doença pois
normalmente apresentam um prognóstico mais favorável ao dentes atingidos. Isto, porém, não significa que os casos mais
avançados da doença não possam ser tratados adequadamente, mas certamente envolverão um tratamento mais complexo
que dependerá muito de um grande empenho do paciente para que este seja bem alcançado. Não sentir nada na gengiva nem
sempre significa não ter problemas periodontais, muitos sintomas só aparecem mais tarde quando os danos aos tecidos de
suporte já são maiores.
Além disso, deve se ter em mente que os problemas gengivais podem trazer grande influência sistêmica para
alguns indivíduos. Estudos recentes apontam para o risco do desenvolvimento de doenças coronarianas, problemas
pulmonares e até mesmo provocar o nascimento de crianças prematuras em gestantes atingidas pela periodontite. A boca é
parte de um todo, por isso prevenir os problemas de gengiva assim como tratá-los traz benefícios não só para a saúde bucal
como também para a saúde e o bem estar do paciente.

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